Mulher a fazer compras no corredor de um supermercado, enquanto compara dois produtos de limpeza.

Como ganhar no linear num mercado cada vez mais dominado pela marca própria

Grande consumoArtigo

janeiro 08, 2026

As marcas brancas deixaram de ser a alternativa discreta.

Segundo dados recentes da NIQ, 50% dos consumidores estão a comprar mais produtos de marca branca do que nunca. Mais revelador ainda: 40% afirmam que mudariam para uma marca branca de que gostassem — mesmo que tivesse um preço mais elevado. Ao mesmo tempo, 67% dos consumidores a nível global dizem estar dispostos a experimentar uma nova marca devido a preços mais baixos.

Para as marcas FMCG, competir apenas através do preço deixou de ser uma estratégia sustentável. Os retalhistas estão a investir fortemente nas suas marcas brancas, os consumidores tornaram-se mais conscientes nas suas decisões de compra e as mecânicas promocionais que pressionam margens são cada vez mais difíceis de justificar.

O verdadeiro campo de batalha deixou de ser o preço e passou a ser o valor percebido.

Então, como contrariar o crescimento das marcas brancas sem entrar numa corrida constante ao desconto?

A resposta passa por uma abordagem promocional mais sustentável, assente em três passos: interromper a decisão automática, reforçar o significado da marca e garantir visibilidade valorizada pelos retalhistas.

Passo 1: Interromper o reflexo de optar pela alternativa mais barata

As marcas brancas ganham muitas vezes em momentos de compra automática. O produto parece familiar, o preço parece aceitável e a decisão transmite segurança.

A disrupção permite introduzir uma nova perceção de valor no linear.

Na Indonésia, por exemplo, a marca de detergente e sabão para roupa Rinso lançou uma promoção on-pack onde as famílias desbloqueavam acesso a atrações e experiências partilhadas. Em vez de competir através de descontos ainda mais agressivos numa categoria extremamente sensível ao preço, a marca associou a compra a momentos familiares relevantes. A ativação gerou um aumento de 15% nas vendas e uma taxa de recompra de 30%.

De repente, os consumidores deixaram de comparar apenas preços de detergente e passaram a avaliar o valor do tempo passado em família. A atenção mudou — e com ela, também mudou a concorrência.
Gráfico sobre o passo um

Passo 2: Reforçar aquilo que torna a sua marca especial

À medida que a qualidade das marcas próprias evolui, torna-se mais difícil sustentar diferenciação apenas através de atributos funcionais. Embalagens, mensagens de produto e até diferenças de formulação estão cada vez mais próximas.

É precisamente aqui que a autenticidade da marca ganha importância. O valor promocional deve parecer coerente com a marca — e não apenas uma compensação através do preço.

Na categoria de cuidados pessoais nos Estados Unidos, a Dollar Shave Club lançou uma ativação em retalho que oferecia ofertas experienciais garantidas, como subscrições de gaming e créditos em restauração. A mecânica encaixava naturalmente na personalidade da marca — moderna, irreverente e orientada para experiências.

Com forte presença em loja, a campanha gerou um aumento de 48% nas vendas semanais médias nas lojas participantes, sendo que 61% dos participantes eram novos consumidores da marca.

Quando as mecânicas promocionais reforçam aquilo que a marca já representa, fortalecem estruturas de memória e reconhecimento em vez de diluírem valor. E essa consistência é extremamente difícil de replicar através de marcas brancas.
Gráfico sobre o passo dois

Passo 3: Reforçar a proposta de valor para o retalhista

Os retalhistas tomam decisões de forma racional — e as marcas brancas oferecem controlo de margem e diferenciação. Por isso, para competir por espaço no linear, as marcas têm de demonstrar crescimento incremental real.

É aqui que as promoções experienciais podem fortalecer o argumento comercial junto do retalhista.

No canal duty free internacional, a Ferrero lançou uma campanha onde consumidores que gastassem 20€ em produtos desbloqueavam 20€ em créditos de viagem. A campanha integrou-se naturalmente no contexto aeroportuário e gerou aumentos de sell-out de dois dígitos em vários mercados. Ao acrescentar valor real e contextualizado, a ativação impulsionou o valor médio de compra e reforçou o contributo da marca para o crescimento do cabaz.

Para os parceiros de retalho, isso traduz-se em benefícios concretos. Campanhas que aumentam o valor do cabaz, geram compras incrementais e atraem novos consumidores tornam a marca muito mais difícil de substituir por alternativas de marca branca.
Gráfico sobre o passo três

A mudança estratégica

O crescimento das marcas brancas dificilmente irá abrandar. Os consumidores continuam atentos ao preço, mais conscientes nas suas escolhas e cada vez mais confortáveis a experimentar alternativas.

Mas a resposta não precisa de ser reativa.

Uma estratégia sustentável assenta em três princípios:
  • Interromper comportamentos automáticos de trade-down.
  • Reforçar aquilo que só a sua marca consegue oferecer de forma autêntica.
  • Fortalecer o argumento comercial para garantir visibilidade premium.

Disrupção, autenticidade e visibilidade — aplicadas através de campanhas orientadas para valor — criam distância entre marcas e alternativas de marca branca.

E num contexto de retalho onde a comparação de preços é imediata e o espaço no linear é altamente competitivo, o valor emocional torna-se uma das poucas vantagens que as marcas brancas não conseguem replicar facilmente.

Veja estes princípios em ação

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