Multidão levantando celulares com luzes acesas em um ambiente noturno

Como as operadoras podem se destacar em um mercado onde tudo parece igual

TelecomunicaçõesArtigo

08 04, 26

Por Jay Cary, CEO – TLC North America

Durante grande parte da história recente, o setor de telecom enfrenta uma realidade desconfortável: para o consumidor, a maioria das operadoras parece exatamente igual.

Planos ilimitados se confundem. Promoções são praticamente as mesmas entre concorrentes. Promessas de rede acabam se anulando.

Enquanto a tecnologia evoluiu rapidamente, a forma como as marcas se conectam com seus clientes pouco mudou.

Quando produtos se tornam essenciais, regulados e funcionalmente equivalentes, diferenciar se torna um grande desafio e a loyalty é uma das primeiras a sofrer.

Esse “mar de igualdade” não é apenas um problema de branding. É um risco direto para o crescimento.

Encarando a realidade do setor

Qualidade de rede já foi um grande diferencial. Cobertura e velocidade faziam muita diferença. Hoje, na maioria dos mercados, as redes são boas o suficiente. Como o setor passou a repetir as mesmas estratégias, o resultado é previsível: margens menores, participação de mercado estagnada e ausência de vantagem competitiva real.

 

Por que promessas de rede não constroem loyalty

Mesmo quando há diferenças na qualidade de rede, elas raramente criam conexão emocional. O que sustenta a loyalty é o engajamento, não apenas ter uma cobertura confiável.

A maioria dos líderes de telecom já entende isso. O caminho não está em mais descontos ou em reforçar promessas técnicas, mas em criar experiências que façam o cliente se sentir reconhecido e valorizado.
Infográfico mostrando que a rede deixou de ser diferencial e virou o básico

O que serviços financeiros podem ensinar sobre desejo de marca

O setor financeiro também é altamente comoditizado. Pagamentos e seguros são praticamente iguais entre empresas. Ainda assim, marcas como American Express conseguem se destacar ao associar seus produtos a significado. A Amex não é necessariamente o cartão mais aceito, mas continua sendo altamente desejado porque comunica identidade, estilo de vida e status.

Operadoras podem seguir essa lógica. É preciso sair da venda de conectividade e passar a construir ecossistemas de valor, usando recompensas, gamificação e benefícios de lifestyle para gerar relevância.

De uma lógica de rede para uma lógica centrada no cliente

As operadoras mais bem-sucedidas hoje se comportam menos como empresas de infraestrutura e mais como marcas orientadas por marketing. Elas focam no que representam e no valor percebido pelo cliente.

Loyalty não é só pontos ou retenção. É relevância. Isso exige entender profundamente o estilo de vida, valores e interesses dos clientes:
  • Segmentos de alto valor: experiências como viagens, eventos e benefícios premium
  • Mercado massivo: benefícios práticos do dia a dia, como alimentação, entretenimento e vantagens digitais

A T-Mobile é referência nesse modelo. Sua estratégia Un-carrier, com iniciativas como T-Mobile Tuesdays e o app T-Life, mudou o foco da conversa de preço para valor percebido. O resultado foi uma taxa de churn de apenas 0,88% em planos pós-pagos.

 
Case da T-Mobile com T-Mobile Tuesdays e app T-Life

Por que ativos corporativos não sustentam engajamento

Patrocínios e naming rights criam momentos impactantes, mas pontuais. O engajamento sustentável vem de interações frequentes e emocionalmente relevantes.

Programas que combinam grandes momentos ocasionais com recompensas diárias ou semanais apresentam maior retenção e maior valor ao longo do tempo.
Infográfico comparando patrocínios com engajamento contínuo

Engajamento proativo é o próximo passo

O futuro do loyalty é proativo.

Os melhores programas incentivam ações específicas de alto valor, como:
  • Indicar amigos
  • Ativar débito automático
  • Usar canais digitais

Ao combinar isso com gamificação e incentivos inesperados, é possível criar engajamento recorrente e ainda reduzir custos operacionais.
Infográfico sobre o ciclo de engajamento

Por que isso importa agora

O cenário nunca foi tão competitivo.

A disrupção em mercados comoditizados não acontece fazendo o mesmo melhor, mas fazendo diferente.

Já vimos isso com os bancos digitais e marcas digitais no varejo.

Em telecom, operadores menores e mais ágeis já estão conquistando nichos que grandes players ignoraram.

Se relevância é o ponto central, fica claro que não dá para tratar todos os clientes da mesma forma.

E para transformar relevância em loyalty, é preciso uma estratégia sofisticada que aumente retenção, recomendação e eficiência operacional.

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